Monday, 14 November 2016

Caldo Verde peruano

Mais uma dessas experiências gastronômicas baratas e super saborosas do Peru, o Caldo Verde, que tinha passado por nós sem ser notado na viagem passada, mostrou-se uma ótima opção vegetariana/vegana para desayuno/almoço em Junín, Cerro de Pasco, Huánuco (e cidades próximas).

Imagem 1: Caldo Verde para o desayuno de Domingo, no Mercado que se desenrola entre Pasaje La Merced y Jirón 28 de Julio en Huánuco.
Estando de passagem por Cerro de Pasco, com Manuel Seminário e seu Coca Móvil, pensando em que comida vegetariana poderia haver no Mercado Central (que praticamente volteava a Plaza de Armas e que tinha 60% do seu espaço físico ocupado por carne), descobrimos o Caldo Verde, uma sopa vegana bem simples de batata branca "com um pouco de papa amarilla para espessar o caldo", como nos viria a explicar mais tarde uma mamita no mercado de Ambo (cidade próxima a Huánuco), e alguns temperos, podendo ou não ter um pouco de queijo ou ovo acrescentados na hora de servir. O que chama a atenção nesta sopa é que é condimentada por um caldo, que cada pessoa pode agregar à vontade, composto por "tudo o que for verde", como nos ia explicando a mesma mamita enquanto comíamos: salsinha, coentro, muña, hortelã, paico e... arruda! Sim, arruda!
Uma das principais reclamações de quem viaja por Peru e Bolívia é de ter indigestão ou vermes comendo en la calle, mas, depois de ter conhecido essa sopa, me pergunto se algum desses dois problemas aguentariam todos esses vegetais que, além de ser ótimos alimentos, são excelentes medicinas. A questão talvez seja mais sobre o que se come do que onde.
Imagem 2: "É muito bom para a digestão e para os bichos!" nos dizia a mamita do mercado da Pasaje la Merced em Huánuco, pouco antes de preparar una bolsita com canchitas que ia nos regalar para comermos mais tarde.


Encontramos o caldo verde desde s./ 2 (com opção de acrescentar queijo - Ambo) a s./ 2.50 (com opção de queijo e canchitas - Huánuco - ou queijo e ovo - Cerro de Pasco), ou seja R$ 2 a 2,50 por uma refeição.

Sunday, 13 November 2016

Tocosh, Alimento y Medicina: a penicilina natural peruana

Em menos de 24h saímos de Lima, 0 metros sobre o nível do mar, onde estávamos de manga curta e chinelos para chegar a Junín, 4.100, com dois pares de meias, dos pantalones e dois casacos grossos (e ainda assim passando um frio danado para dormir). E, com essa rápida mudança, dois dias de dores fortes de cabeça, e uma certa intolerancia a quaisquer alimentos muito doces, com derivados lácteos ou excesso de óleo... Por fim conhecíamos o tal Soroche, mal de altura.
Assim, garimpando algo que nao fosse doce nem estivesse pingando azeite, descobrimos para el desayuno ("desjejum"que é como se chama o café da manha por aqui), um mingau de Tocosh, vendido em carrinhos nas ruas (que também vendem outras mazamorras, como a morada (milho roxo), de camote (um tipo de batata doce), avena, etc).

O Tocosh é uma técnica andina de conservaçao de alimentos através de fermentaçao, no qual uma espécie de batata ou milho sao colocadas em uma rede de Ichu (palha andina), num buraco de aprox. 60cm cavado na beira de um rio, prensada por muitas pedras e deixadas ali entre 2 a 12 meses, para que a água do rio a lave e lave até que se decomponha e desenvolva um antibótico natural, muito efetivo, para depois serem secadas ao sol e utilizadas para fazer mingaus, caldos entre outros pratos.

Como nos encanta experimentar a diversidade alimentícia dos lugares onde passamos, resolvemos experimentar o tal Tocosh, tao apreciado na regiao de Junín, Cerro de Pasco e Huánuco, sobre o qual nunca havíamos ouvido falar antes. Seu gosto é de um amargo forte, e seu cheiro, meio podre, tampouco poderia ser considerado convidativo, mas encaramos o prato bem servido, hahahaha, afinal, valia s./ 1 (R$ 1) para uma nova experiencia gastronomica e medicinal.

Aqui citamos alguns de seus diversos benefícios para a saúde:
- Alimento probiótico;
- Aumenta a flora intestinal;
- Ajuda a melhorar a digestao;
- Tonifica o sistema imunológico;
- Bactericida e antibiótico natural;
- Combate pneumonia, bronquite, resfriado;
- Utilizado para tratar mal de altura "soroche";
- Dado para mulheres em seu período de pós-parto;
- Indicado para tratar úlceras estomacais, gastrite, hemorroidas e problemas renais;
- Dá calor ao corpo nas alturas andinas.

E foi assim que conseguimos nos livrar da dor de cabeça e da sensaçao de ter pedras no estomago... E, de quebra, descobrimos a fonte do cheiro forte que sentíamos nos mercados a cada vez que íamos comprar frutas e verduras no mercado municipal! hahahaha.

 Fontes (acesso em 11/11/2016):
Imagem 1: RecetasGratis.net
Tocosh Andino: Uso tradicional como penicilina natural + Imagem 2. Em http://www.inkanatural.com/es/arti.asp?ref=TOKOSH
Tocosh. Em https://es.wikipedia.org/wiki/Tocosh

Monday, 17 October 2016

"Não à comercialização do Inca!" & visita à Killarumiyuq

Imagem 1: caminho à Killarumiyuq
Imagem 2: peregrinação em trio ;)
Um mês e meio se passou desde que nos confundimos nas datas e fomos parar no Templo da Lua de Killarumiyuq, "a que possui uma pedra da lua" (na língua Quechua), dois dias depois da celebração da Festa da Lua, que foi propositalmente adiantada para cair num domingo e atrair mais turistas e movimentar mais dinheiro na cidade de Ancahuasi, Cusco.
Casualmente caímos lá nas ruínas numa terça-feira, segundo e último dia da faena (mutirão de limpeza) pós-festa e pudemos ver as pegadas humanas na forma de sacos plásticos, pedaços de papel higiênico e centenas de tampas de garrafas de cerveja espalhadas por uma das construções mais sagradas para a cultura inca, num lugar especial que era venerado também por várias culturas pré-incaicas que haviam passado por ali muito antes do tempo que é tão pormenorizadamente estudado na escola como "descobrimento da América". E, justamente por ser dia de limpeza geral, não havia fiscais na entrada; todos os empregados pela Dirección Desconcentrada de Cultura - Cusco estavam escalados para a limpeza. Entramos tranquilos, cruzamos por um par de pessoas, até que, lá pelas tantas, um senhor veio nos dizer que tínhamos que pagar a entrada. Papo vai, papo vem e, depois de receber um par de Folhas de Coca de nossa parte (se abriu um sorriso em seu rosto enquanto ele as pijchava, "mascava"), o "Empregado do Estado" voltou a ser homem e foi nos explicando com calma e sabedoria alguns mistérios ocultos daquelas ruínas, que eram local de oferendar, observar e agradecer à Lua, ao Arco-íris e à Água.
Imagem 3: entrada do Templo da Lua.
Ele voltou ao seus afazeres e  nós seguimos nosso rumo em direção ao Templo da Lua, que ficava alguns quatrocentos-e-tantos metros montanha acima, num caminho bem atualmente demarcado por pequenas pedras pintadas de branco, que iam formando um caminho serpenteante por entre pedras com diferentes marcas (inclusive uma, de mais de 2,5m que parecia representar um antigo guardião do lugar). Havíamos deixado nossos sapatos lá embaixo, depois de ter conversado com o primeiro senhor, e, apesar de alguns espinhos das plantas cercanas, o caminho parecia feito para os pés descalços.
Imagem 4: interior do Templo, detalhe na pedra à esq,
talhada e apoiada numa base tão pequenina...
Uma águia, que vinha nos acompanhando, às vezes se aventurava a chegar mais perto em seus vôos baixos. Nos olhava com olhos afiados, como que nos passando por um Raio-X que mostrasse nossas verdadeiras intenções ali. Não levaríamos nada além da boa energia, tampouco deixaríamos algo além de nossas energias e alguns punhados de Folhas de Coca oferendadas de coração aos guardiães daquele lugar. Não estávamos ali nem pra ganhar dinheiro com os espíritos e construções antigas, nem para depredá-las. Nos concederam passagem. Depois de deixar nosso presente nos três altares (buracos cavados nas imensas pedras) do templo, ficamos sentados na entrada, meditando, recebendo as energias do sol, do lugar, das plantas, animais e rochas ao redor por mais de duas horas. Por fim, quem diria, nossos calçados, láaa embaixo, nos denunciariam.
Um outro senhor, cujo salário também era pago pelo Estado, subiu todo o caminho, baixo um sol de quase meio-dia, para cobrar-nos entradas. E, com ele, não houve conversa (nem Folhas de Coca) que o amaciassem. Estávamos em três e não tínhamos levado dinheiro para pagar três entradas, que sairiam um total de 21 soles (21 reais, no câmbio do dia). Na verdade tínhamos, mas se pagássemos, teríamos que voltar mais de 200km andando e em jejum. Paguem duas para os três, então, ele nos disse. De um jeito ou de outro ele queria receber algo por ter subido todo aquele caminho baixo sol para cobrar três "hippies" que haviam aparecido no meio da faena. Não abrimos mão do dinheiro - e ele não abriu mão do seu ponto de vista. Se não vão pagar, retirem-se. Simples assim. Gracias hermano, lhe dissemos. E ele, inflexível: Retirem-se. Baixamos, vagarosamente, aproveitando o caminho, enquanto ele vinha a passos largos atrás, como se quisesse nossa pele pela sua subida infrutífera. Perto da entrada, ele se foi para um lado e nós aproveitamos para tirar um par de fotos mais antes de sairmos.
Imagem 5: pedra trabalhada na qual, uma vez ao ano, por 3 minutos, o sol,
por sua inclinação, faz com que um arco-iris seja refletido.
Digam o que quiserem os amantes do capitalismo e do "se ninguém pagar não tem como manter", mas os Incas e as civilizações que os antecederam praticavam as faenas como um trabalho coletivo: todos os que eram beneficiados por uma determinada estrutura eram responsáveis por ela e se sentiam no dever de mantê-la de pé, limpa, etc. E os lugares sagrados são, pois, sagrados... imagine se cada vez que quisesse entrar em uma igreja um católico tivesse que pagar sete reais! Parece absurdo, mas se levar em consideração que, para construir a igreja, foi necessária mão de obra, materiais de construção, etc, e que, para manter um padre, é necessário um salário, para limpar a igreja é preciso outro empregado e por aí vai, esse dinheiro poderia estar justificado, mas ninguém questiona o absurdo que é que alguém precise pagar para passar por um posto de fiscalização para poder caminhar pelas montanhas passando por uma porção de pedras trabalhadas há mais de 500 anos. Ok, vimos aí o trabalho do pessoal limpando - e que não seria necessário se as pessoas fossem melhor educadas no sentido de a) não jogar lixo no chão; b) não consumir as bobagens que as fazem produzir esse lixo; c) conhecer para respeitar sua cultura e tradição (e assim valorizar os espaços sagrados deixados por seus antepassados) -, e sabemos que atualmente tudo é movido à dinheiro, mas será que uma porcentagem do dinheiro movimentado durante essa Festa da Lua - e outros festivais que ocorrem nas ruínas de todo o Peru - não poderia ser destinado para pagar esse gasto? É realmente necessário que hajam fiscais e cobrança, incluso para gente das redondezas, que vai ter que pagar, mesmo que sejam valores reduzidos, para caminhar por certas partes de sua comunidade, que foram tombadas como patrimônio histórico? De bom grado trocaria um dia de serviço para estar dentro de uma ruína tocando aquelas pedras, andando com os pés descalços pelas montanhas onde passaram tantas mentes brilhantes em tempos idos... Mas não é essa a lógica vigente. A moda é: se não vai pagar, deve se retirar. 
Imagem 6: da entrada do Templo, olhando para a imensidão além
Imagem 7: "aqui en la casa de mis abuelos"*
Por essas e outras é que seguimos escolhendo horários/dias "alternativos" para estar nas ruínas. Talvez eu nunca chegue a conhecer Machu Picchu, cuja ticket de entrada custa mais do que 100 soles e o trem - suíço -, custa US$32 para ir, e outros US$ 32 para voltar e está guardada dia e noite por policiais bem armados... Para ir às outras ruínas, saímos junto com o Sol e subimos a montanha antes das 7 da manhã, quando ainda não há fiscalização, pedindo permiso a los ancestros y guardianes, deixando umas hojitas de coca, nos harmonizando com a energia do lugar, conhecemos o que há para conhecer, tiramos algumas fotos - se é que estamos com a câmera - e voltamos. Acontece de encontrarmos a fiscalização na saída, mas aí eles já não tem muito mais o que fazer.
"Não à comercialização do Inca!", e das
outras culturas de nossa Abya Yala* também, obviamente. Precisamos conhecer para valorizar e valorizar para amar e proteger. E esse relacionamento não se faz envolvendo dinheiro.

Imagem 8: O Guardião.
Abya Yala ("terra viva" ou "terra em florescimento" na língua do povo Kuna), verdadeiro nome deste continente que, longe de ser descoberto, foi encoberto por povos invasores que não souberam compreender que estas terras já tinham quem as amasse e cuidasse nem que a gente daqui estava menos interessada em acumular bens e mais em se desenvolver intelectual e espiritualmente. Que possamos ser as gerações de transição, que unem o melhor do antigo e do novo e agem em prol do bem de todos os seres.

Gracias por lerem até aqui! Bom caminho, hermanos!

"Aqui en la casa de mis abuelos" é parte da letra de uma música de Alonso del Rio.

Monday, 3 October 2016

Mashua (Tropaeolum tuberosum)

Imagem 1: Mashua Negra. Chaclacayo, Peru. 2016.
A MASHUA, da família das Tropaeolaceae (mesma da Capuchinha, por exemplo) é uma planta orignária dos Andes, sendo encontrada em Peru, Bolívia e Colômbia em altitudes que variam de 2.600 a 4.100 m. É uma planta bastante rústica, o que permite que se desenvolva bem em solos considerados pobres e, ainda assim, render o dobro do que o da batata. Em muitos povos andinos é semeada ao redor das plantações de batatas como repelente natural de pragas. Existem mais de 200 espécies conhecidas, com diversas cores desde amarela a vermelha e negra, e seus tubérculos são comercializados in natura a cerca de s. 2/kg no Peru.
Imagem 2: Comercialização da Mashua Negra em um mercado de Chaclacayo, Peru. 2016.
Usos alimentícios e medicinais

As mashuas de cores claras são utilizadas em sopas e pratos salgados, enquanto as de cor escura são utilizadas para refrescos, sobremesas, geleias e sua farinha pode ser utilizada até mesmo para incrementar pães e dar-lhes uma cor diferenciada.

De maneira medicinal, podem ser encontradas em forma de tinturas/extratos.

Possui antocianinas (pigmentos que lhe dão a cor escura) que estimulam a síntese do colágeno e inibem as enzimas que o degradam, o que, a nível externo, faz com que melhore a qualidade da pele; protegem a vitamina C no corpo, que é imprescindível para a formação do colágeno e absorção do ferro; inibem metabólitos inflamatórios, o que faz com que seu consumo ajude a controlar processos alérgicos; é rica em antioxidantes, que protegem o coração e os vasos sanguíneos; e também é utilizada para melhorar os casos de retenção de líquidos e de dores pré-menstruais.
Possui Isotiocianato de fetilo (C9H9N1S), que se conecta com as proteínas celulares e induz apoptose (“morte celular programada” ou “morte celular não seguida de autólise”) nas células cancerígenas e de crescimento anormal.
Em estudo publicado em 2012, feito com ratos em tratamentos de 7, 14 e 21 dias, o consumo regular de mashua reduziu a mobilidade do esperma e sua concentração em todos os tratamentos, sem apresentar efeitos tóxicos. Maiores estudos para determinar seu potencial anticonceptivo em homens ainda estão sendo feitos.

Referências
CHIRINOS, Rosana et al. Antioxidant properties of mashua (Tropaeolum tuberosum) phenolic extracts against oxidative damage using biological in vitro assays.
VASQUEZ, Jonathan H. et al: Decrease in spermatic parameters of mice treated with hydroalcoholic extract Tropaeolum tuberosum “mashua”. 2012. 6 p. ISSN 1561-0837.
TOWERS, G. H. Neils et al: Anti-reproductive and other medicinal effects of Tropaeolum tuberosum. University of british Columbia, Canada. 1980. Disponível em < http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/037887418290040X> Acesso em 03/10/2016.

Apoptose. https://pt.wikipedia.org/wiki/Apoptose acesso em 03/10/2016. Fotos: Arquivo pessoal, Peru, 2016.

Thursday, 29 September 2016

Relato Expo Chaclasumaq Cultural 2016

Imagem 1: divulgação da Expo
Nos dias 23,24 e 25 de setembro tivemos a oportunidade de participar do primeiro final de semana da Expo Chaclasumaq Cultural, promovida pela Chaclasumaq - Associação de Artistas da Cidade de Chaclacayo em parceria com a prefeitura municipal de Chaclacayo, e que se estenderá até o final de semana de 30, 01 e 02 de outubro.
Imagem 2: Gil e Manuel com o Coca Móvil
Estivemos junto com Manuel Seminário e seu Coca Móvil, expondo produtos integrais e enriquecidos com folha de coca produzidos por sua empresa familiar Mana Integral e conversando com as pessoas sobre os benefícios alimentícios do consumo da folha, aclarando dúvidas sobre esta planta que teve seu uso injustamente proibido em diversos países por uma "confusão" bem planejada que a coloca no mesmo patamar que substâncias como o cloridrato de cocaína e a heroína na Lista I de estupefacientes da ONU, ainda que seu uso ininterrupto como alimento, energizante e medicina remonte mais de 8 mil anos em diversas regiões que hoje pertencem à Bolívia, Argentina, Peru, Colômbia, Venezuela e Brasil.
Imagem 3: apresentação de dança norteña
Domingo presenciamos uma exposição de quadros feitos por diversos artistas da cidade e a Premiação do Talento Oculto de Chaclacayo; a apresentação de diversos grupos de dança, de um acordeonista e de um repertório de mais de 12 músicas de 22 policiais do Serenazgo Chosica, numa bela apresentação que nos convida a refletir sobre o fato de que os policiais não precisariam "meter medo" nas pessoas nem precisariam andar armados até os dentes, como acontece no Brasil; pelo contrário, eles podem e devem incentivar a cultura como meio de reduzir a criminalidade!

Imagem 4: atividade cultural "pintando em família"
Imagem 5: Exposição de quadros indicados para o "Talento Oculto de Chaclacayo"
Vídeo 1: uma das performances dos Policiais do Serenazgo Chosica

Wednesday, 28 September 2016

Maca Negra, Deutério e Câncer

Nesta segunda-feira, 26/09/2016, compartimos em uma reunião com pessoas de diversas partes do Peru, do Chile e do Brasil, na qual falamos sobre diversos assuntos, dentre os quais destacamos a Quiropraxia Inka, a Folha de Coca e seus usos alimentícios, medicinais e ritualísticos e a Maca Negra.

Imagem 1: Maca negra
Imagem 2: Dr. Ciro falando na reunião
O Dr. Ciro Castillo Huerta nos deu uma breve explicação sobre a fitoquímica da Maca Negra e falou que a Maca, por si só, é
-Energizante;
-Antiestressante;
-Antidepressiva
Mas, para que a Maca Negra seja antitumoral; e sirva para amenizar sintomas da TPM, cólicas e dores menstruais; amenizar os sintomas da menopausa; ter propriedades antioxidantes e melhorar a memória, é necessário que seja plantada a mais de 3.800 metros sobre o nível do Mar, como a plantada na região de Junín, (o que faz com que, dentre outras coisas, ela apresente um baixo nível de deutério*) e que, para ser transformada em farinha, passe antes por um processo de secagem de três meses, para que os raios solares possam fazer as mudanças necessárias na composição bioquímica do tubérculo, o que nem sempre acontece com a Maca comumente comercializada (que pode ser encontrada com o nome de "Maca fresca" em mercados de todo o Peru), pois, segundo a lógica do "tempo é dinheiro", esses 3 meses em que a Maca estaria "tomando um solzinho" significariam uma enorme perda financeira para qualquer empresa.
O Dr. Ciro aproveitou para falar da "Maca del Dr. Ciro", que é um produto feito por sua empresa familiar em associação com a Koken del Peru (e que já havia transcendido as fronteiras peruanas para ser vendido no Japão!) e sobre sua meta de fazer com que os próprios peruanos conhecessem e consumissem Maca de melhor qualidade, o que faria com que outras empresas se preocupassem em melhorar sua produção, incluindo o processo de secagem.
Imagem 3: Secagem da Maca

Imagem 4: Crianças consumindo Maca
*Níveis de Deutério¹
A concentração de Deutério nos alimentos de planície é de 150ppm; nos do mar, é de 156ppm; nos alimentos criados a mais de 3.800 metros sobre o nível do mar, esse número cai para 138ppm.
"Ao consumir produtos com muito deutério (como peixes e algas marinhas), a resposta química do corpo fica lenta". "Baixando em 6ppm a concentração de deutério no organismo, consegue-se que as células cancerosas deixem de multiplicar-se". Em um ano consumindo alimentos produzidos acima de 3800 m.s.n.m., pode-se chegar a ter uma concentração de 138ppm de deutério no organismo.
Os japoneses Kunihiro Seki e Yoshito Nishi estudaram por mais de cinco anos a água, os produtos alimentícios das alturas e a Folha de Coca (sobre a qual falamos aqui, aqui e aqui), chegando à conclusão de que transladar-se a uma altura de mais de 3.800 m aumenta a produção de hormônios de crescimento, o número de mitocôndrias do corpo, e a função sexual tanto em homens quanto em mulheres; alcaliniza-se o sangue; as enfermidades por hábito de vida como câncer, hipertensão e diabetes são revertidas pelos baixos níveis de deutério; as células sanguíneas e a flora intestinal aumentam 1.6x; a musculatura lisa dos órgãos e vasos sanguíneos se fortalece, dentre tantos outros benefícios.

Referências e fontes:
Conferência do Dr. Ciro Castillo Huerta, em Lima, Peru, dia 26/09/2016.
¹SEKI, Kunihiro; NISHI, Yoshito. Coca: sexualidad y longevidad. La paz: Tika & Teko, 2014. p. 142-143.

Imagem 2: Arquivo pessoal. Lima- Peru, 2016.
Outras imagens: <http://www.kokendelperu.com/galeria-sp.htm> Acesso em 28/09/2016.

O Lítio das folhas de Coca previne enfermidades mentais

Informações do livro Coca: factor antiobesidad. SEKI, Kunihiro; NISHI, Yoshito. O Dr. Kunihiro Seki, depois de ser diagnosticado com uma porção de enfermidades por hábitos de vida (incluindo diabetes, pressão alta, câncer) decide realizar uma terapia e se mudar para La Paz (4000 metros sobre o nível do mar) para testar sua teoria de que em um ambiente de hipoxia crônica, com ingestão de alimentos provenientes das alturas andinas o corpo se regeneraria. Lá conheceu a folha de Coca e seu uso tradicional. Começou a utilizá-la como parte de seu tratamento e após diversas investigações científicas, chegou a conclusão de que não só se regeneram as células do cérebro, prevenindo doenças da idade, como também a flora intestinal se recompõe e aumenta, o vigor sexual é retomado e  as enfermidades são revertidas.
Junto com seu grupo de pesquisadores, já lançaram quatro livros sobre os benefícios da Coca (Coca: um biobanco; Coca: fator antiobesidad; Coca: sexualidad y longevidad; y Coca: dieta cetogênica) e um sobre a cura espontânea que ocorre ao estar acima de 3800 m.s.n.m. (3.812msnm)

A folha de Coca, cultivada na região dos Yungas da Bolívia contém 7.2ppm de Lítio (quantificado pela primeira vez no mundo por Kunihiro Seki em 19 de novembro de 2012 com a empresa SGS). Isto significa que, em 100g de folhas de Coca se encontram 0.72mg de Lítio.
Com o conhecimento de que na América do Sul (a exceção do Brasil) uma grande porcentagem das pessoas longevas de mais de 90 anos mastiga folhas de coca diariamente, o Dr. Kunihiro Seki também decidiu mastiga-la. Os efeitos que experimentou com esse ato o surpreenderam:
1. Redução da quantidade de ingestão de alimentos;
2. Sono profundo todas as noites;
3. Obtenção de abundante quantidade de oligonutrientes como vitaminas e minerais;
4. Reparação da membrana celular no organismo, através dos alcaloides que se encontram na folha de coca;
5. Efeito bactericida e prevenção de enfermidades periodontais pela clorofila da folha de coca;
6. Aumento da histamina intracerebral que origina sensação de saciedade, evitando a sobrealimentação;
7. Ausência de síndrome de abstinência ainda que o consumo seja interrompido por vários dias;
8. Aumento do metabolismo corporal;
9. Estimulação da função de transpiração ao utilizar a folha de coca como azeite para banhos;
10. Prevenção da demência senil, Alzheimer e manutenção da capacidade de concentração, com o aumento da histamina intracerebral pelos alcaloides da folha de coca;
11. Prevenção do mal de altura;
12. Redução do estresse, através dos alcaloides e do lítio presentes na folha de Coca;
13. Prevenção do câncer, pela clorofila que contém a folha de Coca;
14. Proteção contra as enfermidades mentais pelo efeito do lítio presente na folha de coca;
15. Diminuição da fadiga, devido ao fato que a mastigação da folha de Coca aumenta a histamina intracerebral.

Dos numerosos alimentos que a humanidade casualmente descobriu até o momento, a folha de Coca demonstrou ser segura para o consumo através dos milhares de ano de seu uso sem aparição de efeitos colaterais, o que a coloca no topo dos alimentos. Ainda assim, este alimento tão benéfico para a humanidade não pode ser cultivado nos países desenvolvidos e apesar de que se podem obter efeitos benéficos múltiplos pela mastigação das folhas de coca – devido ao fato de que a ONU a catalogou como droga narcótica em 1961 -, se está gerando uma perda econômica que afeta diariamente a toda a humanidade e se está desperdiçando uma oportunidade de solução para os crescentes problemas nutricionais do planeta.
Não existe nenhum artigo que demonstre cientificamente que a mastigação das folhas de coca provoque dependência física ou síndrome de abstinência.  Não existe nenhum artigo que tenha investigado sobre danos produzidos por dependência mental ao mastigar folhas de coca. Não existe nenhum reporte científico sobre efeitos teratogênicos nem que se tenha induzido ao consumo de cocaína seguindo a teoria da escada.

Referências
SEKI, Kunihiro; NISHI, Yoshito. Coca: fator antiobesidad. La paz: Tika & Teko, 2013. p.149-150.

Friday, 23 September 2016

Chacco (argila branca)

O Chacco é uma argila branca de hidralgirita (silicato de aluminio hidratado), encontrada na Bolívia e na região andina do Peru, utilizada pelos incas e por povos que os antecederam, interna e externamente, para gastrites e prisão de ventre, dentre outros, e até mesmo para casos de indigestão e diarreia aguda. A ingestão desta argila tem poder alcalinizante para o organismo, é antibiótico e antiviral natural; tradicionalmente se emprega, para azia, gastrite, diarreias agudas, prisão de ventre, dores abdominais, neutralizar úlceras estomacais, contra parasitas intestinais; previne o câncer de cólon e externamente serve como emplasto e máscara facial.

A argila, juntamente com o carvão vegetal, constituem um dos métodos mais efetivos para realizar a limpeza do trato digestivo. O Chacco, entretanto, possui também propriedades nutricionais, além de ser curativo e preventivo de diversas enfermidades. Em sua composição química se encontra Alumínio, Potássio, Silício, Boro, Litio, Estanho, Bario, Magnésio, Estrôncio, Berilio, Manganes, Titanio, Bismuto, Molibdeno, Talio, Cadmio, Sodio, Vanadio, Calcio, Níquel, Zinco, Cobalto, Fósforo, Prata, Cromo, Plomo, Mercúrio, Cobre, Antimonio, Ferro, Selênio.
A maneira como a argila atua no organismo é por meio de um processo de adsorção e absorção. ainda que essas palavras possam ser parecidas, sua atuação é distinta:
- Na adsorção, as substâncias tóxicas, que levam carga iônica positiva, se aderem na superfície da argila, que tem carga iônica negativa;
- Na absorção, entram na estrutura interna da argila, como se ela fosse uma esponja, e são transportadas por ela através dos intestinos e são expelidas pelo corpo juntamente com as fezes.

Onde encontrar

Nos mercados da Bolívia e região andina do Peru. Usado como ingrediente opcional na preparação do Emoliente (sobre o qual falamos aqui).
*Mas também se encontram argilas brancas de uso interno no Brasil.

Como consumir

Deixar de molho em água de uma a três colheres de sopa de argila, consumir com o estômago vazio em jejum, no meio da tarde ou antes de dormir.

Cuidados/contraindicações

É importante notar a consistência e aparência das fezes, pois não basta apenas ingerir a argila: deve-se comer mais fibras (frutas e verduras) e tomar mais água também para melhorar o efeito da argila!


Referências e maiores informações:
vídeo sobre o Chacco, em espanhol, com o Dr. Jose Luiz Perez Albela em https://www.youtube.com/watch?v=CKRuxeUbJLE
http://sachabarrio.blogspot.pe/2009/02/la-milagrosa-arcilla-de-chaco-la.html
Foto: Arquivo pessoal/Raíces de la Tierra, Peru - 2016.

Wednesday, 21 September 2016

"Jallalla Pachamama!", Celebração do Equinócio de Primavera & Festa da Lua

Imagem 1: Caminhada até a Waka Pachacamaq
Quatro das cinco datas mais importantes para os incas, nas quais se faziam grandes celebrações, eram os solstícios e equinócios.
 Durante os dias 20 e 21 de setembro (equinócio de primavera, época em que se celebra o Killa Raymi, a Lua, o Mar - que, para os Incas, era uma força feminina - e as mulheres, em geral), estivemos em YanaWillaq, lugar onde estava localizada uma Ayllu (comunidade) Incaica homônima (cujo nome se traduziria a algo como "os mensajeiros do criador do mundo", já que, Pachacamac, do Quechua, significa "o criador/organizador do mundo" ou, "aquele que anima o mundo"), da qual saiam nas datas festivas, pecorrendo o trecho Xauxa-Pachacamaq do Qhapaq Ñam ("Caminho dos Justos", uma linha de 45º, podendo ser traçada através da Chakana, que conectava as principais cidades Incas, estando Cusco no centro desta linha), dançando e entregando oferendas ao Oráculo de Pachacamaq, localizado na Waka ("centro de poder", erronea e catolicamente traduzido como "santuário") Pachacamac agradecendo pelas dádivas recebidas, firmando compromisso com seu próprio desenvolvimento e pedindo esclarecimentos e bendições.

 Imagem 2: Manuel soprando seu K'intu¹
  Imagem 3: Guardião do fogo
 Imagem 4: Gilberto entregando seu K'intu para ser ofertado ao Fogo

 Na noite do dia 20, fizemos uma fogueira à beira-mar, conversamos sobre a cultura e a ritualística das épocas incaicas e pré-incaicas, a importância da Folha de Coca como ritual, medicina, alimento e cultura viva de diversos povos sulamericanos, distribuídos no tempo durante mais de 8 mil anos e geograficamente por Colômbia, Equador, Venezuela, Peru, Bolívia, Brasil e Argentina. Nos demos conta da importância que cada um tem mantendo viva dentro de si (e acendendo em outros) a chama dos antepassados, para que não seja esquecida toda uma cultura de amor à natureza e de equilíbrio entre todas as formas de vida.
Imagem 5: Manuel ofertando Coca ao fogo; Imagem 6: Oferenda sendo entregue ao "Taita Nana".
Na manhã do dia 21 seguiu-se uma caminhada animada, com cerca de 17 pessoas, ao som de maracas, pututus, tambores, acompanhados por Jorge e Jeni, amigos queridos e operadores de Turismo pela Yanawillaq Tour and Beach S.A.C., e por Manuel Seminário, peruano e peregrino defensor da liberdade para a folha de Coca, por ser parte da cultura viva de seu país (cujo uso ininterrupto remonta mais de 8 mil anos), alimento, medicina e também parte da ritualística de diversos povos sulamericanos. "Ter a folha de coca em uma lista de estupefacientes [junto com o cloridrato de cocaína e heroína] é uma ofensa à nossa cultura, aos nossos antepassados", afirma.
Imagem 7: Vista do mirador da Waka Pachacamaq
Chegamos à Waka Pachacamac e lá realizamos uma cerimônia de "Ofrenda a la Tierra", que, brevemente, consiste em uma oferenda (folhas de coca, grãos e cereais, etc) agradecendo a abundância recebida na forma de comida, saúde, dinheiro, etc, que a Mãe Terra (Pachamama) deu, fazendo pedidos para abundância no próximo ciclo e firmando compromisso com nosso próprio desenvolvimento (o que vamos fazer para que possamos ser melhores? para que possamos ser dignos de receber aquilo que pedimos?) e também, é claro, agradecendo às forças femininas da Lua, Mar, e às próprias mulheres por seus papéis nos ciclos da Vida.
À noite, um ritual semelhante tomará lugar em Kuka Hampy Wasi, em Lima e, em breve, teremos mais fotos e explicações para os interessados na cultura andina!
Imagem 8 e 9: duas partes das ruínas da Waka Pachacamaq; a segunda sendo a Acllahuasi²

Imagem 10: "Jallalla³ Pachamama! Gracias, herman@s!"
¹K'intu: grupo de três (ou quatro) folhas de coca, que representam os três mundos (ou quatro), os três tempos ou os quatro elementos, que, nos pagos/ofrendas a la tierra, ao serem ofertados ao fogo (depois de serem soprados com os agradecimentos/pedidos silenciosos de quem o porta), levam, em forma de fumaça, essas afirmações para os quatro cantos do universo, para todos os tempos e mundos, para que se realizem.
² Acllahuasi: "Casa das Escolhidas", do Quechua. Casas para onde eram levadas as mulheres virgens que eram escolhidas por seus dons para serem serviçais às ordens do Inca, sendo encarregadas da produção de Chicha e têxtiles, outras eram escolhidas como esposas para o Inca ou seus guerreiros e nobres, etc.
³ "Jallalla": palavra quechua-aymara que une os conceitos de esperança, festejo e bem-aventurança, expressando, neste único termo, a ideia que nossos sonhos devem sempre ir acompanhados do forte desejo de sua concretização, elevando nosso pedido a Deus, Pachamama, Universo, etc, e trabalhando intensamente para alcança-lo.
Taita Nana: um dos quatro elementos. A expressão vem do Quechua e significa "Pai Fogo".

Saiba mais sobre
Coca Móvil e sua peregrinação por Abya Yala para "mostrar a 'outra cara' da folha de Coca" - página facebook
Turismo Yanawillaq - blog
Turismo Yanawillaq - pág Facebook
TRANSNATIONAL INSTITUTE. Coca si, Cocaína no: opciones legales para la hoja de Coca. Amsterdam. Maio, 2006. 20p.

Fotos: Raíces de la Tierra. Lima - Peru, 2016.

Monday, 12 September 2016

Linhaça (Linum usitatissimum)

A linhaça (Linum usitatissimum) é uma semente oleaginosa que tem sido estudada por seus efeitos benéficos à saúde. É considerada um alimento funcional, pelo fato de ser uma fonte natural de fitoquímicos, apresentando alto teor de lipídeos insaturados, como o ômega-3, fibras e lignanas, sendo um alimento funcional atraente para diminuir o risco de doenças cardiovasculares e por conter grande quantidade de ácido graxo α-linolênico (é a primeira maior fonte vegetal dese ácido), essencial para o desenvolvimento do sistema nervoso central, sendo extremamente necessário na formação das membranas celulares do cérebro.

Os sintomas de perda da bainha de mielina podem incluir deficiências sensitivas (como visão borrada), dificuldades de coordenação e locomoção; dificuldades nas funções corpóreas (por exemplo, controle insuficiente da bexiga). A esclerose múltipla é uma doença causada pela perda da bainha de mielina.

Benefícios do consumo da linhaça
- Redução dos problemas cardiovasculares, por ser rica em Ômega 3, que ajuda a controlar o colesterol "ruim" (LDL);
- Combate a prisão de ventre, por seu alto teor em fibras;
- Melhora a flora intestinal "boa", o que faz com que seja também imunoestimulante e antiiinflamatória, além de melhorar a absorção dos nutrientes dos outros alimentos que consumimos;
- Controla diabetes;
- Protege o aparelho digestivo;
- Diminui os sintomas da TPM e da Menopausa, inclusive a incidência de osteoporose e câncer de mama em mulheres, pois tem boas quantidades de isoflavona, fitoesteroide e lignana, que regulam os hormônios femininos;
- Além disso, a linhaça é uma ótima aliada para quem quer perder peso! Ao consumir 1 colher de sopa de farinha de linhaça por dia, em 30 dias começam-se a notar as diferenças: redução de Índice de Massa Corporal (IMC) e de Circunferência Abdominal (CA) e, em 60 dias, nota-se também a diminuição do Colesterol "ruim" (LDL) e dos triglicerídos (TG);
- E para quem quer melhorar a aparência da pele! Pois, como regula o trato intestinal, auxilia no controle da oleosidade da pele e, consequentemente, do aparecimento de espinhas e outras irregularidades.

Como utilizar:
- Sementes inteiras: deixe uma colher de molho em duas colheres de água por 10 minutos (para "ativar") e utilize o preparado para tomar ou para acrescentar em saladas de frutas, sucos, drinks, leites vegetais, etc.
- Farinha: Preferencialmente, compre a linhaça inteira e moa-a no liquidificador um pouco antes de utilizá-la, para que não se oxide e acabe perdendo algumas de suas propriedades benéficas. Coloque a farinha em sucos e vitaminas, saladas, frutas e iogurtes ou sobre pães e geleias.
- Óleo de linhaça: Dê preferência aos prensados à frio, e utilize-os para temperar saladas ou qualquer outro preparo que não necessite calor, para evitar que se percam as propriedades.
- Chá de linhaça:
1 - 4 colheres de sopa de linhaça para um litro de água; ferver por 10 minutos e depois tomar 2 xícaras por dia.
2 - 1 xícara de linhaça para 3 de água; ferver por 10 minutos com cascas medicinais e aromáticas (canela e unha de gato, por exemplo) para obter um espessante para o Emoliente (sobre o qual falamos e ensinamos a fazer aqui);
*Note que os usos mais recomendados são das sementes cruas recém moídas ou "ativadas", pois assim garante-se que nenhuma das propriedades da linhaça se percam.

Cuidados e contraindicações
Não é indicada para crianças menores de um ano, por terem aparelho digestivo sensível, que seria sobrecarregado pelos componentes da linhaça.
Não consumir mais do que duas colheres de sopa por dia, por causar obstrução intestinal e competição por absorção de nutrientes.


Referências e maiores informações
A linhaça (Linum usitatissimum) como fonte de ácido x-linolênico na formação da bainha de mielina <http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=536879&indexSearch=ID> Acesso em 12/09/2016.

Efeitos da linhaça no perfil lipídico e antropométrico da mulher. Disponível em <http://www.cookie.com.br/site/wp-content/uploads/2014/12/Efeitos-da-farinha-da-linha%C3%A7a-no-perfil-lip%C3%ADdico-e-antropom%C3%A9trico-de-mulheres.pdf> acesso em 12/09/2016.

http://www.tuasaude.com/beneficios-da-semente-de-linhaca/
http://www.remedio-caseiro.com/cha-de-linhaca-beneficios-e-propriedades/
http://www.minhavida.com.br/alimentacao/tudo-sobre/16792-linhaca-a-semente-aliada-do-coracao-diabetes-e-da-dieta

Para entender um pouco sobre o papel da Bainha de mielina:
<https://pt.wikipedia.org/wiki/Bainha_de_mielina> Acesso em 12/09/2016.

Foto: http://www.remedio-caseiro.com/cha-de-linhaca-beneficios-e-propriedades/

Friday, 9 September 2016

Un emoliente, por favor!

Imagem 1: Em Abancay: "Un emoliente, por favor!"
Se estiver no Peru e estiver buscando um elixir revitalizante, que contenha uma infinidade incrível de cores, sabores e aromas, que te esquente o corpo, e que, além de tudo isso, ainda seja extremamente medicinal, procure um carrinho que venda emolientes!
Das 6 às 9 da manhã, e das 7 às 10 da noite, nas ruas das cidades da Costa, Serra e Selva do Peru, pode-se encontrar uma porção de carrinhos cheios de chás, garrafinhas coloridas, panelas e/ou chaleiras ferventes onde se pode comprar uma bebida calientita típica, à base de ervas medicinais e cevada tostada, engrossada com Linhaça e Chia (podendo também conter Babosa), nas opções morno (“tíbio”) ou quente (“caliente”), sendo que, normalmente, muitas variações são encontradas dependendo da parte do Peru em que se esteja, já que se procuram utilizar ervas da região.
 Imagem 2: Emoliente com Ayrampo pra espantar o frio de Pisac.
Por exemplo, em Cusco e outras cidades da “Sierra” é comum encontrar uma garrafa com um líquido cor-de-rosa (que, à primeira vista pode parecer bastante artificial), proveniente da infusão das sementes de Ayrampo (um cactos desta região, sobre o qual falamos aqui), que vem sendo utilizado medicinalmente desde épocas pré-incaicas como febrífugo e anti-inflamatório e também como um corante natural para lãs e comidas; Na Selva encontram-se frasquinhos de azeite de copaíba (imunoestimulante, cicatrizante interno e externo, sobre o qual falamos aqui) e sangre de grado (cicatrizante interno e externo, muito utilizado em casos de úlceras e tumores, anemia e diarreia).
Pode-se simplesmente ir à um/uma emolientero/a e pedir “un emoliente”, o que te dará um emoliente padrão, geralmente adoçado com açúcar mascavo e com bastante limão, geralmente recém-espremido, ou pode-se especificar para quem o está preparando que mal-estar ou enfermidade te aflige. Por exemplo, se uma pessoa sente que seu fígado está mal, por ter muitos arrotos ou não poder digerir bem os alimentos que consume, vai pedir algo “para el hígado” e assim, antes do Emoliente (ou até misturado, dependendo do modo de preparo), vai receber um trago de alguma erva amarga, tônica para o fígado, como é o caso do Hercampuri (falamos sobre ele aqui) e um emoliente com menos ou simplesmente nada de açúcar; Se está gripada, com a garganta inflamada, seu emoliente será adoçado com mel de abelha e pode conter uma ou duas gotas de azeite de copaíba e por aí vai... A reputação dessa bebida por todo o Peru é tão grande que é comum ver junções de pessoas em torno dos carrinhos, todos esperando ansiosamente pelo seu emoliente, enquanto observam com olhos atentos a destreza do emolientero.
Muitas pessoas realmente acreditam no poder curativo do Emoliente e testemunham que seu consumo regular é benéfico nos casos de gastrites e problemas estomacais, gripes, resfriados, inflamações diversas, incluindo artrite, artrose, reumatismo, prostatite, assim como nos casos de imunidade baixa, úlceras e tumores, irregularidades menstruais e ovários policísticos, retenção de líquidos e dores nos rins, dentre outros males.
Imagem 3: Sílvia preparando-nos um emoliente
A razão para que uma só bebida possa auxiliar a tratar tantas moléstias diferentes se deve ao fato de que em sua composição entram diversas plantas com ricas propriedades nutricionais e medicinais, como Cevada, Linhaça (“linaza”), Chia, Ayrampo, Limão, Alfafa, Boldo, Unha/Uña de Gato, Tansagem (“llantén”), Cavalinha (“colla de Cavallo”), Babosa (“sábila”), Chacco (argila branca proveniente da Bolívia ou de Puno - Peru), Folha de Urucum (“Achiote”), Penca de Tuna (um cactos, cuja “baba” da folha, extraída ao deixa-la de molho em água, é recomendada em casos de diabetes e colesterol altos), Flor Blanca (Ovários), Chuchuhuasi (Bronquios, artrite, artrose), matico, camomila (“manzanilla”), Agracejo, Diente de Leon, Hercampuri, Eucalipto, Mel de Abelha (“Miel de abeja”), Estévia, Açúcar mascavo, Algarrobina, Pólen. Ufa! E, ao mesmo tempo em que se aprecia uma bebida saudável e saborosa, também se pode receber informação sobre a história do emoliente, da experiência del emolientero e, é claro, sobre os benefícios das plantas medicinais que compõem a mistura.

Um pouco da História do Emoliente²

Havia uma bebida cerimonial da Grécia preparada com água, cevada e menta, chamada Cicéon, que acabou se tornando popular na Espanha (onde acrescentaram canela e limão à mistura) e, quando os espanhois chegaram à região que hoje seria a costa peruana, a bebida acabou se tornando muito popular e, na época colonial, surgiram pequenos estabelecimentos dedicados à preparação do emoliente

Imagem 4: detalhes das garrafas com extratos de plantas medicinais e
das laterais dos carrinhos, com chás em bolsinhas para vender.



Durante nossa estada em Abancay, uma pequena e aconchegante cidade no estado de Cusco, que milagrosamente não está tomada por turistas (nem por pessoas que vivem deles, diga-se de passagem), tivemos a oportunidade de experimentar diferentes emolientes e de conversar con los emolienteros, claro. Em Abancay, muitos dos carrinhos de emolientes tem um teto simpático com uma indicação de nome ou do nome de quem atende e algumas bolsinhas com chás para vender.
Ao longo da Avenida Arenas, nos afeiçoamos a dos emolienteros muy amables, un hombre y la otra, una mujer, com os quais tomávamos nossos emolientes diários.
Com o senhor, cujo carrinho leva o título ‘Hierbas medicinales “Abancay”’, ficamos sabendo que a folha da Tuna, ao ser deixada de molho solta uma gosma que, ao ser tomada, é muito boa para tratar diabetes; e que a babosa, se for consumida com uma certa frequência, para que seja ainda mais benéfica para a saúde, deve ser deixada de molho cerca de 4 horas antes de seu uso (o melhor seria durante toda uma noite) para que o iodo que ela contém saia.
Imagem 5: Organização do carrinho
Com a senhora, Sílvia, do carrinho ‘Hierbas medicinales “Sílvia”’, aprendemos um pouco sobre como preparar um emoliente, e aqui vai uma mistura de sua receita com a nossa, que rende 4 copos de 300ml:
- Em um recipiente, colocar para hidratar 3 colheres de chia em 6 colheres de água morna;
- Ferver em uma panela tapada, 400 ml de água com 100 gramas linhaça, 100g de cevada tostada e as plantas medicinais que estiverem em casca ou semente por 7 minutos (um pouco da água evaporará e ficará uma gosma espessa);
- Ferver, em outra panela tapada, por 1 a 2 minutos as demais ervas que se queira utilizar e deixar descansar por 5 minutos, numa proporção de 30g de ervas secas por litro de água (ou o quanto desejar);
- Num recipiente (os emolienteros utilizam um copo e uma xícara), colocar o gel do interior de um pedaço de 3cm de babosa (que preferencialmente tenha sido deixada de molho anteriormente), mel de abelha (ou o adoçante que desejar; é opcional) e o quanto queira de ervas e espessantes (não esqueça de coá-los!) e suco de limão recém espremido;
- Passar de um recipiente à outro para que se esfrie um pouco e para que se misturem bem os ingredientes.
- Apreciar!

Imagem 6: "Gracias, jóvenes! Hasta mañana!"



Hoje em dia, principalmente na cidade de Lima, o emoliente também pode ser encontrado frio, engarrafado "para levar" e até como figura principal de alguns estabelecimentos tipo "cafés", cheio de pompa e requinte... Ainda assim, o "original" continua sendo esse que se vende nas carrocinhas da rua, com suas chaleiras ferventes e um limão exprimido até a úuultima gotinha, a s./ 1 (equivalente a R$ 1) o copo de 350 ml (com un aumentito que quase chega a ser um copo extra, dependendo da conexão momentânea que haja entre o consumidor e o emolientero)


P.S.: Ao longo do mês atualizaremos o blog e a página do facebook sobre nossas pesquisas acerca das diversas ervas que compõem o emoliente. Não percam! ;) Aqui nesta postagem já estão assinalados com seus respectivos links as plantas sobre as quais já falamos.

 Referências
Entrevistas aos emolienteros na cidade de Abancay (enquanto apreciávamos seus riquíssimos emolientes);
²http://elcomercio.pe/gastronomia/peruana/historia-emoliente-bebida-esquina-noticia-760465
Imagens: Arquivo pessoal, Peru, 2016.


Óleo de Copaíba (Copaifera spp.)


A COPAÍBA (Copaifera spp., tendo mais de 16 espécies no Brasil), da família Fabaceae, é conhecida como "antibiótico da mata" e é uma das plantas medicinais mais utilizadas na Amazônia, principalmente para tratar feridas e inflamações.
O óleo da Copaíba é um produto do metabolismo da própria árvore, criado por canais secretores na medula ou no centro do tronco.

USOS MEDICINAIS

Óleo [uso interno]: antibiótico, anti-inflamatório e cicatrizante de feridas e úlceras internas, além de ser muito bom para inflamações na garganta e trato digestivo.
[Uso externo] : utilizado para tratar dermatoses, sarna e psoríase.
Para tomá-lo, basta pingar de 2-5 gotas em uma colher com mel e tomar duas vezes ao dia, por no máximo 15 dias.
Para úlceras no trato digestivo, tomar 5 gotas diluídas em uma colher de água morna, em jejum, por sete dias.

Casca [infusão]: antiinflamatório, cicatrizante de feridas internas, sífilis, bronquite, cistite, tosse.

OUTROS USOS 

O óleo também pode ser usado como biodiesel, combustível para lamparinas, fixador na fabricação de vernizes, perfumes e tintas, na revelação de fotografias e para a fabricação de produtos naturais. A madeira da copaíba é muito utilizada na construção por ter cheiro forte que espanta cupins.


Referências
SHANLEY, P. Frutíferas e plantas úteis na vida amazônica.
RENGIFO, Elsa. Plantas medicinales de uso popular en la Amazonia peruana. pág 82.
Um Pé de Quê? Copaíba. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=nZRhdiMehak>

Hercampuri (Gentianella arbo-rosea)



Hercampuri, do Quechua “Hjircan Pureck”, significa “aquele que caminha de povoado em povoado”, que era como se chamavam os médicos durante o império Inca, pois percorriam a pé os povoados tratando os enfermos com diversas plantas medicinais, entre elas, o Hercampuri, indicado em casos de febre, desordens do trato gastro-intestinal e do fígado.
É uma erva pequena, de cerca de 5cm, perene, de talo marrom-escuro, com folhas que vão de 0,5 a 1 cm, retas, opostas, simples, lanceoladas, “sésiles”, verde-escuro. Flores pequenas, indo de 0,5 a 1,5cm, cor lilás ou violeta, hermafroditas, agrupadas em inflorescências cimosas. Fruto em cápsula deiscente com grande número de sementes marrom-escuras ou negras. Pertence à família das Gentianaceae.
Tem propriedades febrífuga; antimalárica; hepatoprotetora (tonifica, regula, reforça, desintoxica e protege o fígado) e também regula as enzimas; depurativa do sangue; diurética; hipoglicêmica (diminui os níveis de açúcar no sangue); colagoga (facilita a secreção de bílis) devido à presença de eritaurina, princípios amargos e glucosídeos; colerética (facilita a secreção e excreção de bílis); antidiarreica.
Contém mucilagens, óleos voláteis e taninos; também contém saponinas, que, em pequena quantidade, atuam sobre o colesterol intestinal, transformando-o em um composto insolúvel, o que faz com que o corpo não o absorva e ele possa simplesmente ser excretado.
Além disso, ajuda a melhorar o metabolismo das gorduras (e a emagrecer de forma saudável, como consequência) e a reduzir os riscos de problemas cardiovasculares; reduzir os níveis de ácido úrico no sangue, de colesterol “ruim” LDL, glicose; regula a pressão arterial e é indicado também nos casos de dores estomacais, indigestão e hepatite.
Como utilizar
Infusão: colocar uma flor seca ou uma colher de café para cada 400 ml de água fervendo; tapar e esperar sete minutos antes de tomar.
Cocção: ferver uma flor seca ou uma colher de café da erva seca para cada meio litro de água; desligar o fogo; tapar e deixar em repouso por cinco minutos antes de tomar.
Água de tempo: deixar duas flores para um litro de água fria ou morna em repouso por uma noite. Tomar durante o dia antes das refeições.

Onde Encontrar (Brasil)
Até o presente momento, apesar de não termos buscado muito, só encontramos Hercampuri no Mercado Elias Mansour (vulgo "mercado do terminal") em Rio Branco, Acre, no "Box do Profeta", a R$ 7 um pacote de 100g.

Cuidados/ contraindicações
Tomar apenas por 5 a 7 dias seguidos; interromper o uso por no mínimo uma semana antes de reiniciá-lo.
Contraindicado para mulheres grávidas, lactantes e crianças menores de dois anos.

Referências
<Supernatural.cl> acesso em 09/09/16
<www.ecured.cu>
Manual de fitoterapia. Lima: Essalud; 2001. P. 190-192.
Rojas, L.A. Determinación del Efecto Reductor de Peso de la Gentianella alborosea en Ratas [Tesis]. Lima: Universidad Nacional Mayor de San Marcos (UNMSM); 1999. 74 pp.
foto 1 <animalesyplantasdeperu.blogspot.com>
foto 2 <es.amazon-nutrition.com>

Thursday, 1 September 2016

Ayrampu (Opuntia soherensii)

Ayrampu (ou Airampo), de nome científico Opuntia soherensii, é um cactos pequeno e fino, com espinhos bastante compridos, que cresce até 50cm de altura, podendo ser encontrado em grandes quantidades nas montanhas rochosas próximas à cidade de Oruro, mas também por toda a cordilheira dos Andes. Sua flor é amarela ou vermelha e seu fruto é como a Tuna, mas um pouco menor e mais frágil.

As sementes vem sendo utilizadas desde épocas pré-incaicas por suas propiedades febrífugas e antiinflamatórias, porém, hoje em dia, o conhecimento do uso do Ayrampu como medicina está caindo em esquecimento (maiormente são as pessoas de mais idade que ainda os conhecem).
As sementes podem ser encontradas nos mercados municipais peruanos, em bolsinhas de s./ 0.50 e s./ 1 e os frutos, para serem consumidos crus, em cactos nas cidades ao longo da cordilheira, sendo mais comuns onde não há tanta poluição.

Usos medicinais
A infusão das sementes é refrescante e é bastante utilizada para calmar a febre, combate as úlceras de estômago e regula a pressão sanguínea, além de aliviar os problemas que provocam a aparição de varicela, sarampo e escarlatina. Também é utilizada como tônico. A mesma preparação também é utilizada para lavar os olhos em caso de conjuntivite ou, aplicada no local com um algodão, para tratar aftas.
As flores, em infusão, são utilizadas para evitar o cansaço e a anemia.
A infusão da raiz batida do Ayrampu estimula a retenção de urina e serve como anti-inflamatório, antidiarreico, ajuda a controlar a anemia e a ardência no ventre.

Como utilizar
Uma colher de sopa para um litro de água: ferva por 2 minutos e deixe repousar, tapado, por 5; tomar duas a três xícaras por dia.
Tratamento da febre com infusão de flores, folhas, raízes e sementes de malva, casca de quina, sementes de airampo e folhas de verbena.

Outros usos
Se utiliza o Ayrampu como ingrediente medicinal nos emolientes e xaropes para tosse, por seu sabor e cor em drinks e refrescos, pães, coberturas de bolos e sorvetes (geralmente com canela também).
Além disso, tanto o fruto quanto as sementes e as flores são usadas como tinturas carmim para fios de algodão.
Do fruto do ayrampu também se pode fazer sal natural que é utilizado em pratos com peixes.

Referências e maiores informações
<http://lapatriaenlinea.com/?nota=23792> acesso em 31/08/2016.
<http://diagnosticodelmedico.blogspot.pe/2012/06/el-airampo-bueno-para-regular-la.html>
info e foto 1 <http://www.peruthisweek.com/blogs-airampo-the-andean-fruit-with-medicinal-properties-and-favored-by-gourment-chefs-100484>
foto 2 <cuzcoeats.com>

Friday, 26 August 2016

Quebra-Pedra (Phyllantus niruri)

O QUEBRA-PEDRA, ou erva-pombinha, Phyllantus niruri (Phyllanthaceae), por vezes considerada uma "erva daninha" é uma planta medicinal de fácil acesso, sendo suas folhas, sementes e raízes utilizadas como diuréticas, para problemas do fígado, icterícia,cólicas renais, moléstias da bexiga, retenção urinária e para reduzir níveis de açúcar e ácido úrico do sangue e de cálcio urinário (reduzindo a formação e crescimento de cálculos renais).
Também é bactericida,  antimalárica e sedativa.

Como usar
Parte utilizada: Toda a planta.
Dose: 10 gramas para um litro de água, abafar por 10 minutos quando alcançar fervura; tomar duas a três xícaras por dia por até 21 dias.

Cuidados e contraindicações
Não deve ser consumida por gestantes, lactantes e crianças pequenas, nem por mais de três semanas seguidas, pois seus efeitos diuréticos fazem com que o corpo possa ficar desmineralizado.

Referências e maiores informações em
Phyllantus sp. <http://www.iiap.org.pe/cdpublicaciones2011/documentos/pdf/piba/pu/22.pdf> Acesso em 12/01/2016.
Quebra-pedra <https://pt.wikipedia.org/wiki/Quebra-pedra> Acesso em 12/01/2016.
Quebra-pedra <http://www.tuasaude.com/quebra-pedra/> Acesso em 12/01/2016.
BALBACH, A. As plantas curam. São Paulo: Editora M. V. P., 1969. Pág. 311.
Centro de Informações sobre Medicamentos, Plantas Medicinais e Tóxicas, Universidade Federal de São João del Rei <http://www.ufsj.edu.br/…/cim…/Edicoes%203/CIMPLAMT_ed_11.pdf> Acesso em abril/2016.

Thursday, 18 August 2016

Cana do brejo

Retenção de líquidos, inchaço, dores e problemas renais, infecções urinárias ou retenção de menstruação... disfunções comuns às mulheres, que deixam de mau humor, desconfortáveis e sem saber o que fazer, mas a ‪#‎CuraEstáNaNatureza‬!

Você já ouviu falar de CANA DE MACACO, CANA DO BREJO, ou ainda POBRE-VELHO? É uma planta medicinal, ornamental e alimentícia, para ser utilizada em forma de chá (7 a 10 folhas para um litro de água), comida crua em saladas ou em forma de suco verde e até para ser utlizada em drinks! 


Usos medicinais
É diurética, tônica, emenagoga (estimula o fluxo menstrual), diaforética (estimula a sudorese), indicada para problemas renais, nefrite, cálculos, sífilis, entre outros.

Saiba mais
Os professores Moacir Biondo e Valdely Kinupp explicam sobre os usos da CANA ÁGRIA e outras PANCS (plantas alimentícias não-convencionais) nessa 4ª temporada do ‪#‎ErvasEPlantas‬, neste vídeo.

E, pra quem quer saber ainda mais: um outro vídeo do professor Biondo, sobre a Cana do Brejo e outras plantas medicinais da Amazônia!


Imagem: sarzedoecologia.blogspot.com