Monday, 30 January 2017

Bilimbi

Em 2016, no Acre, descobrimos o Bilimbi, uma fruta cítrica super deliciosa, da família das Oxalidaceae (a mesma da carambola), que pode ser consumida verde e salgada, como conserva, tira-gosto ou parte de molhos; ou madura e crua como fruta ou no preparo de geleias, sucos, vinho e caipirinha. É muito utilizada na Bahia (onde a chamam de Biri-Biri) no preparo de moquecas e mariscados.



Originária do Sudeste da Ásia e introduzida no Brasil pela Amazônia através de Caiena, Guiana Francesa, é uma árvore que pode chegar a 10m de altura, com casca lisa e marrom. As folhas são compostas por cinco a 16 folíolos alongados que podem chegar a 12cm de comprimento. A planta fecha as folhas à noite (nictante). Possui flores pequenas, vermelho-escuras, bastante aromáticas, presas aos ramos e troncos. Possui floração contínua, com flores e frutos ao mesmo tempo e pode gerar frutos durante todo o ano.Os frutos são bagas elipsoides de 5 a 10 cm de comprimento e até 4cm de diâmetro. Nascem agrupados, presos aos troncos ou ramos lenhosos da planta.
O cultivo é feito através de sementes ou de enxertos, preferencialmente em climas tropicais e subtropicais.



PROPRIEDADES MEDICINAIS


Contém 60mg de Vitamina C por 100g de polpa, o que é mais do que a quantidade de Vitamina C presente na laranja e no limão. Frutos: [comidos] são antibióticos, antiescorbúticos e antidiabéticos; [suco] pingar gotas nos olhos e tomado para baixar a febre; [cocção] hepatite, diarreia, febre, inflamações; [extrato alcoólico ou aquoso das folhas] redução da taxa de glicose e de triglicerídeos no sangue. Folhas: [emplastros] enfermidades da pele, sarampo, acne e reumatismo localizado; [infusão] pós-parto e infecções do reto; [cocção] tônica, para baixar a diabetes e para doenças sexualmente transmissíveis.

Referências
Plantas Medicinales Nativas y cultivadas en SurAmérica. Página 40. Bilimbi. Disponível em Acesso em 30/01/2017.

Monday, 14 November 2016

Caldo Verde peruano

Mais uma dessas experiências gastronômicas baratas e super saborosas do Peru, o Caldo Verde, que tinha passado por nós sem ser notado na viagem passada, mostrou-se uma ótima opção vegetariana/vegana para desayuno/almoço em Junín, Cerro de Pasco, Huánuco (e cidades próximas).

Imagem 1: Caldo Verde para o desayuno de Domingo, no Mercado que se desenrola entre Pasaje La Merced y Jirón 28 de Julio en Huánuco.
Estando de passagem por Cerro de Pasco, com Manuel Seminário e seu Coca Móvil, pensando em que comida vegetariana poderia haver no Mercado Central (que praticamente volteava a Plaza de Armas e que tinha 60% do seu espaço físico ocupado por carne), descobrimos o Caldo Verde, uma sopa vegana bem simples de batata branca "com um pouco de papa amarilla para espessar o caldo", como nos viria a explicar mais tarde uma mamita no mercado de Ambo (cidade próxima a Huánuco), e alguns temperos, podendo ou não ter um pouco de queijo ou ovo acrescentados na hora de servir. O que chama a atenção nesta sopa é que é condimentada por um caldo, que cada pessoa pode agregar à vontade, composto por "tudo o que for verde", como nos ia explicando a mesma mamita enquanto comíamos: salsinha, coentro, muña, hortelã, paico e... arruda! Sim, arruda!
Uma das principais reclamações de quem viaja por Peru e Bolívia é de ter indigestão ou vermes comendo en la calle, mas, depois de ter conhecido essa sopa, me pergunto se algum desses dois problemas aguentariam todos esses vegetais que, além de ser ótimos alimentos, são excelentes medicinas. A questão talvez seja mais sobre o que se come do que onde.
Imagem 2: "É muito bom para a digestão e para os bichos!" nos dizia a mamita do mercado da Pasaje la Merced em Huánuco, pouco antes de preparar una bolsita com canchitas que ia nos regalar para comermos mais tarde.


Encontramos o caldo verde desde s./ 2 (com opção de acrescentar queijo - Ambo) a s./ 2.50 (com opção de queijo e canchitas - Huánuco - ou queijo e ovo - Cerro de Pasco), ou seja R$ 2 a 2,50 por uma refeição.

Sunday, 13 November 2016

Tocosh, Alimento y Medicina: a penicilina natural peruana

Em menos de 24h saímos de Lima, 0 metros sobre o nível do mar, onde estávamos de manga curta e chinelos para chegar a Junín, 4.100, com dois pares de meias, dos pantalones e dois casacos grossos (e ainda assim passando um frio danado para dormir). E, com essa rápida mudança, dois dias de dores fortes de cabeça, e uma certa intolerancia a quaisquer alimentos muito doces, com derivados lácteos ou excesso de óleo... Por fim conhecíamos o tal Soroche, mal de altura.
Assim, garimpando algo que nao fosse doce nem estivesse pingando azeite, descobrimos para el desayuno ("desjejum"que é como se chama o café da manha por aqui), um mingau de Tocosh, vendido em carrinhos nas ruas (que também vendem outras mazamorras, como a morada (milho roxo), de camote (um tipo de batata doce), avena, etc).

O Tocosh é uma técnica andina de conservaçao de alimentos através de fermentaçao, no qual uma espécie de batata ou milho sao colocadas em uma rede de Ichu (palha andina), num buraco de aprox. 60cm cavado na beira de um rio, prensada por muitas pedras e deixadas ali entre 2 a 12 meses, para que a água do rio a lave e lave até que se decomponha e desenvolva um antibótico natural, muito efetivo, para depois serem secadas ao sol e utilizadas para fazer mingaus, caldos entre outros pratos.

Como nos encanta experimentar a diversidade alimentícia dos lugares onde passamos, resolvemos experimentar o tal Tocosh, tao apreciado na regiao de Junín, Cerro de Pasco e Huánuco, sobre o qual nunca havíamos ouvido falar antes. Seu gosto é de um amargo forte, e seu cheiro, meio podre, tampouco poderia ser considerado convidativo, mas encaramos o prato bem servido, hahahaha, afinal, valia s./ 1 (R$ 1) para uma nova experiencia gastronomica e medicinal.

Aqui citamos alguns de seus diversos benefícios para a saúde:
- Alimento probiótico;
- Aumenta a flora intestinal;
- Ajuda a melhorar a digestao;
- Tonifica o sistema imunológico;
- Bactericida e antibiótico natural;
- Combate pneumonia, bronquite, resfriado;
- Utilizado para tratar mal de altura "soroche";
- Dado para mulheres em seu período de pós-parto;
- Indicado para tratar úlceras estomacais, gastrite, hemorroidas e problemas renais;
- Dá calor ao corpo nas alturas andinas.

E foi assim que conseguimos nos livrar da dor de cabeça e da sensaçao de ter pedras no estomago... E, de quebra, descobrimos a fonte do cheiro forte que sentíamos nos mercados a cada vez que íamos comprar frutas e verduras no mercado municipal! hahahaha.

 Fontes (acesso em 11/11/2016):
Imagem 1: RecetasGratis.net
Tocosh Andino: Uso tradicional como penicilina natural + Imagem 2. Em http://www.inkanatural.com/es/arti.asp?ref=TOKOSH
Tocosh. Em https://es.wikipedia.org/wiki/Tocosh

Monday, 17 October 2016

"Não à comercialização do Inca!" & visita à Killarumiyuq

Imagem 1: caminho à Killarumiyuq
Imagem 2: peregrinação em trio ;)
Um mês e meio se passou desde que nos confundimos nas datas e fomos parar no Templo da Lua de Killarumiyuq, "a que possui uma pedra da lua" (na língua Quechua), dois dias depois da celebração da Festa da Lua, que foi propositalmente adiantada para cair num domingo e atrair mais turistas e movimentar mais dinheiro na cidade de Ancahuasi, Cusco.
Casualmente caímos lá nas ruínas numa terça-feira, segundo e último dia da faena (mutirão de limpeza) pós-festa e pudemos ver as pegadas humanas na forma de sacos plásticos, pedaços de papel higiênico e centenas de tampas de garrafas de cerveja espalhadas por uma das construções mais sagradas para a cultura inca, num lugar especial que era venerado também por várias culturas pré-incaicas que haviam passado por ali muito antes do tempo que é tão pormenorizadamente estudado na escola como "descobrimento da América". E, justamente por ser dia de limpeza geral, não havia fiscais na entrada; todos os empregados pela Dirección Desconcentrada de Cultura - Cusco estavam escalados para a limpeza. Entramos tranquilos, cruzamos por um par de pessoas, até que, lá pelas tantas, um senhor veio nos dizer que tínhamos que pagar a entrada. Papo vai, papo vem e, depois de receber um par de Folhas de Coca de nossa parte (se abriu um sorriso em seu rosto enquanto ele as pijchava, "mascava"), o "Empregado do Estado" voltou a ser homem e foi nos explicando com calma e sabedoria alguns mistérios ocultos daquelas ruínas, que eram local de oferendar, observar e agradecer à Lua, ao Arco-íris e à Água.
Imagem 3: entrada do Templo da Lua.
Ele voltou ao seus afazeres e  nós seguimos nosso rumo em direção ao Templo da Lua, que ficava alguns quatrocentos-e-tantos metros montanha acima, num caminho bem atualmente demarcado por pequenas pedras pintadas de branco, que iam formando um caminho serpenteante por entre pedras com diferentes marcas (inclusive uma, de mais de 2,5m que parecia representar um antigo guardião do lugar). Havíamos deixado nossos sapatos lá embaixo, depois de ter conversado com o primeiro senhor, e, apesar de alguns espinhos das plantas cercanas, o caminho parecia feito para os pés descalços.
Imagem 4: interior do Templo, detalhe na pedra à esq,
talhada e apoiada numa base tão pequenina...
Uma águia, que vinha nos acompanhando, às vezes se aventurava a chegar mais perto em seus vôos baixos. Nos olhava com olhos afiados, como que nos passando por um Raio-X que mostrasse nossas verdadeiras intenções ali. Não levaríamos nada além da boa energia, tampouco deixaríamos algo além de nossas energias e alguns punhados de Folhas de Coca oferendadas de coração aos guardiães daquele lugar. Não estávamos ali nem pra ganhar dinheiro com os espíritos e construções antigas, nem para depredá-las. Nos concederam passagem. Depois de deixar nosso presente nos três altares (buracos cavados nas imensas pedras) do templo, ficamos sentados na entrada, meditando, recebendo as energias do sol, do lugar, das plantas, animais e rochas ao redor por mais de duas horas. Por fim, quem diria, nossos calçados, láaa embaixo, nos denunciariam.
Um outro senhor, cujo salário também era pago pelo Estado, subiu todo o caminho, baixo um sol de quase meio-dia, para cobrar-nos entradas. E, com ele, não houve conversa (nem Folhas de Coca) que o amaciassem. Estávamos em três e não tínhamos levado dinheiro para pagar três entradas, que sairiam um total de 21 soles (21 reais, no câmbio do dia). Na verdade tínhamos, mas se pagássemos, teríamos que voltar mais de 200km andando e em jejum. Paguem duas para os três, então, ele nos disse. De um jeito ou de outro ele queria receber algo por ter subido todo aquele caminho baixo sol para cobrar três "hippies" que haviam aparecido no meio da faena. Não abrimos mão do dinheiro - e ele não abriu mão do seu ponto de vista. Se não vão pagar, retirem-se. Simples assim. Gracias hermano, lhe dissemos. E ele, inflexível: Retirem-se. Baixamos, vagarosamente, aproveitando o caminho, enquanto ele vinha a passos largos atrás, como se quisesse nossa pele pela sua subida infrutífera. Perto da entrada, ele se foi para um lado e nós aproveitamos para tirar um par de fotos mais antes de sairmos.
Imagem 5: pedra trabalhada na qual, uma vez ao ano, por 3 minutos, o sol,
por sua inclinação, faz com que um arco-iris seja refletido.
Digam o que quiserem os amantes do capitalismo e do "se ninguém pagar não tem como manter", mas os Incas e as civilizações que os antecederam praticavam as faenas como um trabalho coletivo: todos os que eram beneficiados por uma determinada estrutura eram responsáveis por ela e se sentiam no dever de mantê-la de pé, limpa, etc. E os lugares sagrados são, pois, sagrados... imagine se cada vez que quisesse entrar em uma igreja um católico tivesse que pagar sete reais! Parece absurdo, mas se levar em consideração que, para construir a igreja, foi necessária mão de obra, materiais de construção, etc, e que, para manter um padre, é necessário um salário, para limpar a igreja é preciso outro empregado e por aí vai, esse dinheiro poderia estar justificado, mas ninguém questiona o absurdo que é que alguém precise pagar para passar por um posto de fiscalização para poder caminhar pelas montanhas passando por uma porção de pedras trabalhadas há mais de 500 anos. Ok, vimos aí o trabalho do pessoal limpando - e que não seria necessário se as pessoas fossem melhor educadas no sentido de a) não jogar lixo no chão; b) não consumir as bobagens que as fazem produzir esse lixo; c) conhecer para respeitar sua cultura e tradição (e assim valorizar os espaços sagrados deixados por seus antepassados) -, e sabemos que atualmente tudo é movido à dinheiro, mas será que uma porcentagem do dinheiro movimentado durante essa Festa da Lua - e outros festivais que ocorrem nas ruínas de todo o Peru - não poderia ser destinado para pagar esse gasto? É realmente necessário que hajam fiscais e cobrança, incluso para gente das redondezas, que vai ter que pagar, mesmo que sejam valores reduzidos, para caminhar por certas partes de sua comunidade, que foram tombadas como patrimônio histórico? De bom grado trocaria um dia de serviço para estar dentro de uma ruína tocando aquelas pedras, andando com os pés descalços pelas montanhas onde passaram tantas mentes brilhantes em tempos idos... Mas não é essa a lógica vigente. A moda é: se não vai pagar, deve se retirar. 
Imagem 6: da entrada do Templo, olhando para a imensidão além
Imagem 7: "aqui en la casa de mis abuelos"*
Por essas e outras é que seguimos escolhendo horários/dias "alternativos" para estar nas ruínas. Talvez eu nunca chegue a conhecer Machu Picchu, cuja ticket de entrada custa mais do que 100 soles e o trem - suíço -, custa US$32 para ir, e outros US$ 32 para voltar e está guardada dia e noite por policiais bem armados... Para ir às outras ruínas, saímos junto com o Sol e subimos a montanha antes das 7 da manhã, quando ainda não há fiscalização, pedindo permiso a los ancestros y guardianes, deixando umas hojitas de coca, nos harmonizando com a energia do lugar, conhecemos o que há para conhecer, tiramos algumas fotos - se é que estamos com a câmera - e voltamos. Acontece de encontrarmos a fiscalização na saída, mas aí eles já não tem muito mais o que fazer.
"Não à comercialização do Inca!", e das
outras culturas de nossa Abya Yala* também, obviamente. Precisamos conhecer para valorizar e valorizar para amar e proteger. E esse relacionamento não se faz envolvendo dinheiro.

Imagem 8: O Guardião.
Abya Yala ("terra viva" ou "terra em florescimento" na língua do povo Kuna), verdadeiro nome deste continente que, longe de ser descoberto, foi encoberto por povos invasores que não souberam compreender que estas terras já tinham quem as amasse e cuidasse nem que a gente daqui estava menos interessada em acumular bens e mais em se desenvolver intelectual e espiritualmente. Que possamos ser as gerações de transição, que unem o melhor do antigo e do novo e agem em prol do bem de todos os seres.

Gracias por lerem até aqui! Bom caminho, hermanos!

"Aqui en la casa de mis abuelos" é parte da letra de uma música de Alonso del Rio.

Monday, 3 October 2016

Mashua (Tropaeolum tuberosum)

Imagem 1: Mashua Negra. Chaclacayo, Peru. 2016.
A MASHUA, da família das Tropaeolaceae (mesma da Capuchinha, por exemplo) é uma planta orignária dos Andes, sendo encontrada em Peru, Bolívia e Colômbia em altitudes que variam de 2.600 a 4.100 m. É uma planta bastante rústica, o que permite que se desenvolva bem em solos considerados pobres e, ainda assim, render o dobro do que o da batata. Em muitos povos andinos é semeada ao redor das plantações de batatas como repelente natural de pragas. Existem mais de 200 espécies conhecidas, com diversas cores desde amarela a vermelha e negra, e seus tubérculos são comercializados in natura a cerca de s. 2/kg no Peru.
Imagem 2: Comercialização da Mashua Negra em um mercado de Chaclacayo, Peru. 2016.
Usos alimentícios e medicinais

As mashuas de cores claras são utilizadas em sopas e pratos salgados, enquanto as de cor escura são utilizadas para refrescos, sobremesas, geleias e sua farinha pode ser utilizada até mesmo para incrementar pães e dar-lhes uma cor diferenciada.

De maneira medicinal, podem ser encontradas em forma de tinturas/extratos.

Possui antocianinas (pigmentos que lhe dão a cor escura) que estimulam a síntese do colágeno e inibem as enzimas que o degradam, o que, a nível externo, faz com que melhore a qualidade da pele; protegem a vitamina C no corpo, que é imprescindível para a formação do colágeno e absorção do ferro; inibem metabólitos inflamatórios, o que faz com que seu consumo ajude a controlar processos alérgicos; é rica em antioxidantes, que protegem o coração e os vasos sanguíneos; e também é utilizada para melhorar os casos de retenção de líquidos e de dores pré-menstruais.
Possui Isotiocianato de fetilo (C9H9N1S), que se conecta com as proteínas celulares e induz apoptose (“morte celular programada” ou “morte celular não seguida de autólise”) nas células cancerígenas e de crescimento anormal.
Em estudo publicado em 2012, feito com ratos em tratamentos de 7, 14 e 21 dias, o consumo regular de mashua reduziu a mobilidade do esperma e sua concentração em todos os tratamentos, sem apresentar efeitos tóxicos. Maiores estudos para determinar seu potencial anticonceptivo em homens ainda estão sendo feitos.

Referências
CHIRINOS, Rosana et al. Antioxidant properties of mashua (Tropaeolum tuberosum) phenolic extracts against oxidative damage using biological in vitro assays.
VASQUEZ, Jonathan H. et al: Decrease in spermatic parameters of mice treated with hydroalcoholic extract Tropaeolum tuberosum “mashua”. 2012. 6 p. ISSN 1561-0837.
TOWERS, G. H. Neils et al: Anti-reproductive and other medicinal effects of Tropaeolum tuberosum. University of british Columbia, Canada. 1980. Disponível em < http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/037887418290040X> Acesso em 03/10/2016.

Apoptose. https://pt.wikipedia.org/wiki/Apoptose acesso em 03/10/2016. Fotos: Arquivo pessoal, Peru, 2016.

Thursday, 29 September 2016

Relato Expo Chaclasumaq Cultural 2016

Imagem 1: divulgação da Expo
Nos dias 23,24 e 25 de setembro tivemos a oportunidade de participar do primeiro final de semana da Expo Chaclasumaq Cultural, promovida pela Chaclasumaq - Associação de Artistas da Cidade de Chaclacayo em parceria com a prefeitura municipal de Chaclacayo, e que se estenderá até o final de semana de 30, 01 e 02 de outubro.
Imagem 2: Gil e Manuel com o Coca Móvil
Estivemos junto com Manuel Seminário e seu Coca Móvil, expondo produtos integrais e enriquecidos com folha de coca produzidos por sua empresa familiar Mana Integral e conversando com as pessoas sobre os benefícios alimentícios do consumo da folha, aclarando dúvidas sobre esta planta que teve seu uso injustamente proibido em diversos países por uma "confusão" bem planejada que a coloca no mesmo patamar que substâncias como o cloridrato de cocaína e a heroína na Lista I de estupefacientes da ONU, ainda que seu uso ininterrupto como alimento, energizante e medicina remonte mais de 8 mil anos em diversas regiões que hoje pertencem à Bolívia, Argentina, Peru, Colômbia, Venezuela e Brasil.
Imagem 3: apresentação de dança norteña
Domingo presenciamos uma exposição de quadros feitos por diversos artistas da cidade e a Premiação do Talento Oculto de Chaclacayo; a apresentação de diversos grupos de dança, de um acordeonista e de um repertório de mais de 12 músicas de 22 policiais do Serenazgo Chosica, numa bela apresentação que nos convida a refletir sobre o fato de que os policiais não precisariam "meter medo" nas pessoas nem precisariam andar armados até os dentes, como acontece no Brasil; pelo contrário, eles podem e devem incentivar a cultura como meio de reduzir a criminalidade!

Imagem 4: atividade cultural "pintando em família"
Imagem 5: Exposição de quadros indicados para o "Talento Oculto de Chaclacayo"
Vídeo 1: uma das performances dos Policiais do Serenazgo Chosica

Wednesday, 28 September 2016

Maca Negra, Deutério e Câncer

Nesta segunda-feira, 26/09/2016, compartimos em uma reunião com pessoas de diversas partes do Peru, do Chile e do Brasil, na qual falamos sobre diversos assuntos, dentre os quais destacamos a Quiropraxia Inka, a Folha de Coca e seus usos alimentícios, medicinais e ritualísticos e a Maca Negra.

Imagem 1: Maca negra
Imagem 2: Dr. Ciro falando na reunião
O Dr. Ciro Castillo Huerta nos deu uma breve explicação sobre a fitoquímica da Maca Negra e falou que a Maca, por si só, é
-Energizante;
-Antiestressante;
-Antidepressiva
Mas, para que a Maca Negra seja antitumoral; e sirva para amenizar sintomas da TPM, cólicas e dores menstruais; amenizar os sintomas da menopausa; ter propriedades antioxidantes e melhorar a memória, é necessário que seja plantada a mais de 3.800 metros sobre o nível do Mar, como a plantada na região de Junín, (o que faz com que, dentre outras coisas, ela apresente um baixo nível de deutério*) e que, para ser transformada em farinha, passe antes por um processo de secagem de três meses, para que os raios solares possam fazer as mudanças necessárias na composição bioquímica do tubérculo, o que nem sempre acontece com a Maca comumente comercializada (que pode ser encontrada com o nome de "Maca fresca" em mercados de todo o Peru), pois, segundo a lógica do "tempo é dinheiro", esses 3 meses em que a Maca estaria "tomando um solzinho" significariam uma enorme perda financeira para qualquer empresa.
O Dr. Ciro aproveitou para falar da "Maca del Dr. Ciro", que é um produto feito por sua empresa familiar em associação com a Koken del Peru (e que já havia transcendido as fronteiras peruanas para ser vendido no Japão!) e sobre sua meta de fazer com que os próprios peruanos conhecessem e consumissem Maca de melhor qualidade, o que faria com que outras empresas se preocupassem em melhorar sua produção, incluindo o processo de secagem.
Imagem 3: Secagem da Maca

Imagem 4: Crianças consumindo Maca
*Níveis de Deutério¹
A concentração de Deutério nos alimentos de planície é de 150ppm; nos do mar, é de 156ppm; nos alimentos criados a mais de 3.800 metros sobre o nível do mar, esse número cai para 138ppm.
"Ao consumir produtos com muito deutério (como peixes e algas marinhas), a resposta química do corpo fica lenta". "Baixando em 6ppm a concentração de deutério no organismo, consegue-se que as células cancerosas deixem de multiplicar-se". Em um ano consumindo alimentos produzidos acima de 3800 m.s.n.m., pode-se chegar a ter uma concentração de 138ppm de deutério no organismo.
Os japoneses Kunihiro Seki e Yoshito Nishi estudaram por mais de cinco anos a água, os produtos alimentícios das alturas e a Folha de Coca (sobre a qual falamos aqui, aqui e aqui), chegando à conclusão de que transladar-se a uma altura de mais de 3.800 m aumenta a produção de hormônios de crescimento, o número de mitocôndrias do corpo, e a função sexual tanto em homens quanto em mulheres; alcaliniza-se o sangue; as enfermidades por hábito de vida como câncer, hipertensão e diabetes são revertidas pelos baixos níveis de deutério; as células sanguíneas e a flora intestinal aumentam 1.6x; a musculatura lisa dos órgãos e vasos sanguíneos se fortalece, dentre tantos outros benefícios.

Referências e fontes:
Conferência do Dr. Ciro Castillo Huerta, em Lima, Peru, dia 26/09/2016.
¹SEKI, Kunihiro; NISHI, Yoshito. Coca: sexualidad y longevidad. La paz: Tika & Teko, 2014. p. 142-143.

Imagem 2: Arquivo pessoal. Lima- Peru, 2016.
Outras imagens: <http://www.kokendelperu.com/galeria-sp.htm> Acesso em 28/09/2016.